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Last Mile: como conciliar agilidade e eficiência nas entregas



Um dos principais desafios dos varejistas para atender às exigências de agilidade dos consumidores online atuais é conhecida como “last mile”, a ponta final de entrega ao cliente. Esta etapa tradicionalmente representa o fluxo logístico a partir do centro de distribuição até o varejo ou o cliente final diretamente.

Porém, esse desenho de rede logística, a partir dos centros de distribuição, pode não ser o mais adequado, quando se fala em entrega no mesmo dia – exigência cada vez mais frequente dos consumidores online. Em alguns casos, será necessário inovar e adotar novos modelos de rede ou investir na otimização de processos operacionais e sistemas.

O termo em inglês on demand economy (economia sob demanda, em tradução literal) sintetiza a tendência atual de entrega em algumas horas. No instante em que compra algo, o cliente já espera receber o produto – quase que imediatamente – em sua casa. Assim, os varejistas devem desenhar e executar sua operação logística de forma adequada ao modelo de economia sob demanda.

Em artigo publicado pela MarketingProfs, identifica-se que 15% dos varejistas globais oferecem entregas no mesmo dia. No mesmo estudo, detalha-se que 60% dos consumidores norte-americanos estariam dispostos a pagar 10 dólares a mais para receber o móvel desejado no mesmo dia (on demand economy).

SOLUÇÕES

Para alcançar esta velocidade, as marcas estão lançando mão de diversas ferramentas, como o despacho de encomendas a partir de lojas (ship from store), a instalação de mini centros de distribuição em áreas urbanas (dark store), o uso de entregadores terceirizados e lockers em pontos estratégicos. Mas cada uma destas opções tem suas desvantagens e é preciso ter muita atenção para não extrapolar custos.

No caso do ship from store, o principal problema é que as lojas não são organizadas para facilitar os processos de coleta, embalagem e despacho de produtos, além de não terem espaços de armazenagem de estoques suficientes para acomodar os dois perfis de demanda. Adicionalmente, este tipo de movimentação torna o ponto de venda menos organizado e atraente para o cliente que está fisicamente na unidade. Já as dark stores são mais apropriadas para o despacho, mas exigem um estudo cuidadoso de custos para não onerar demais a logística de entrega. Elas, normalmente, não são viáveis financeiramente em cidades menores.

O uso de entregadores terceirizados pode ser uma estratégia bastante assertiva em grandes centros urbanos, mas é preciso estruturar um sistema eficiente de mapeamento das entregas realizadas, que permita identificar em tempo real a taxa de sucesso e o prazo de cada operação. Além disso, a manutenção de parâmetros operacionais, principalmente na cadeia de alimentos e bebidas, é desafiadora.

A adoção dos lockers para entregas ou devoluções pode ampliar muito a capacidade logística: estudos apuraram que uma equipe capaz de realizar 100 entregas por dia no modelo tradicional chega a 700 operações por dia com o mesmo custo. Porém, a marca precisa avaliar se o seu consumidor está disposto a aderir ao modelo.

Outro desafio da logística de frete no last mile é a fragmentação dos provedores de serviços logísticos, já que as empresas acabam adotando diversas estratégias diferentes – o que se torna ineficiente. Além disso, toda essa aceleração nas entregas pode acabar gerando mais emissões de gases poluentes. Relatório do Fórum Econômico Mundial de 2020 mostra que a crescente demanda por entrega de e-commerce resultará em 36% mais veículos de entrega no centro das cidades até 2030, levando a um aumento nas emissões de gases poluentes e no congestionamento do tráfego, se não houver uma intervenção eficaz.

COMO CONCILIAR

Para criar uma solução eficiente de agilidade nas entregas last mile sem onerar demais os custos ou fragmentar excessivamente a estratégia logística, é preciso olhar não somente para a última milha, mas para toda a cadeia, de ponta a ponta. Isso porque algumas soluções precisam ser desenhadas de maneira integrada, tendo em vista não somente a velocidade de entrega, mas também o perfil do consumidor de cada marca, as especificidades de cada região atendida, entre outros fatores. O diagnóstico do negócio juntamente com o apoio de modelos matemáticos, que auxiliam a representação da rede logística para avaliação das alternativas, são parte fundamental a seleção do(s) modelo(s) de operação.

Destaca-se ainda que a seleção do modelo de operação não configura a última etapa, na transformação da logística last mile adaptada ao modelo on demand economy. É fundamental, ainda, revisar os processos logísticos, garantindo uma operação eficiente. Além disso, o desenho de processos auxilia as soluções de tecnologia que apoiem por completo a operação.


Por Camila Affonso, com colaboração de Isabela Pacheco, da Massimo Consulting

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